Inadimplência chega a 8,46% em janeiro de 2026, e moda lidera atrasos com 9,53% às vésperas do Carnaval
Nordeste aparece com a segunda região com a maior taxa de inadimplência do país
O varejo brasileiro iniciou 2026 sob pressão. Dados do Índice de Inadimplência do Meu Crediário, referentes ao relatório mensal da fintech, mostram que a taxa de inadimplência em janeiro de 2026 alcançou 8,46%, interrompendo a trajetória de queda observada em 2025 e sinalizando maior risco para o consumo parcelado no primeiro trimestre.
Na comparação anual, o índice de janeiro subiu 1,57 ponto percentual em relação a janeiro de 2025 (6,89%) e se mantém próximo ao patamar registrado em janeiro de 2024 (9,97%), reforçando um movimento de oscilação e retomada da inadimplência no período pós-festas.
Trimestre encerra acima de 8,5% e confirma pressão no crédito
A média de inadimplência do trimestre mais recente (novembro, dezembro e janeiro) chegou a 8,59% em 2025/2026, acima da média de 7,29% registrada em 2024/2025, indicando deterioração gradual do cenário de crédito no varejo.
Novembro/2025: 8,74%
Dezembro/2025: 8,58%
Janeiro/2026: 8,46%
Apesar de janeiro apresentar leve recuo frente a novembro, o patamar segue elevado e acima da média observada ao longo de 2025.
Moda concentra maior risco de inadimplência
Entre os segmentos do varejo analisados pelo Meu Crediário, roupas e calçados lideram o ranking de inadimplência, com 9,53%, superando a média nacional e reforçando o alerta para o setor no período pré-Carnaval, historicamente marcado por aumento do consumo parcelado.
Outros segmentos monitorados apresentam os seguintes índices:
Óticas: 8,39%
Móveis e eletrodomésticos: 6,84%
O contraste entre moda e bens duráveis indica que o consumo de itens sazonais e não essenciais segue mais exposto ao risco de atraso nos pagamentos.
Região Nordeste fica na segunda posição do ranking de inadimplência
O recorte geográfico mostra forte disparidade regional. O Sudeste registra a maior taxa de inadimplência do país, com 10,32%, sendo a única região a ultrapassar a marca de dois dígitos.
Na sequência aparecem:
Nordeste: 8,95%
Norte: 8,81%
Centro-Oeste: 8,06%
Sul: 6,89%
Os dados indicam maior pressão sobre o crédito nas regiões com maior concentração urbana e volume de consumo.
Jovens puxam inadimplência para cima
A análise por faixa etária mostra que a inadimplência é significativamente mais alta entre os consumidores mais jovens. O grupo de 18 a 25 anos apresenta índice de 15,52%, quase o dobro da média nacional.
Faixas etárias seguintes:
26 a 35 anos: 11,56%
36 a 50 anos: 8,37%
51 a 65 anos: 5,71%
Acima de 66 anos: 5,48%
O dado reforça o impacto do consumo parcelado entre jovens adultos, especialmente em períodos de maior gasto discricionário.
Diferença relevante entre gêneros
O recorte por gênero também evidencia assimetria no comportamento de pagamento:
Homens: 10,18% de inadimplência
Mulheres: 7,91%
A diferença de 2,27 pontos percentuais indica maior exposição masculina ao risco de inadimplência no crediário.
Histórico mensal mostra volatilidade ao longo de 2025
Ao longo do último ano, a inadimplência apresentou oscilações relevantes:
Fevereiro/2025: 6,74%
Março/2025: 8,49%
Maio/2025: 9,61%
Junho/2025: 9,70%
Julho/2025: 9,45%
Setembro/2025: 8,16%
Outubro/2025: 7,99%
Dezembro/2025: 8,58%
O pico no meio do ano e a manutenção de índices elevados no fim de 2025 ajudam a explicar o patamar ainda pressionado observado no início de 2026.
Carnaval 2026 amplia atenção do varejo
O relatório aponta que o período que antecede o Carnaval 2026 combina três fatores de risco: aumento do consumo sazonal, maior uso do crediário e orçamento das famílias pressionado, especialmente entre jovens e consumidores de moda. Historicamente, esse cenário tende a elevar os índices de
inadimplência nos meses seguintes ao evento.
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